Trocar o tênis de rua pelo de trilha não basta!

 

Pratico corrida de rua há quase quatro anos. No início de 2017 resolvi dar um tempo na corrida para descansar, tentar emagrecer e para sentir falta da corrida. Nos últimos meses estava me obrigando a treinar e a sensação era ruim, por isso me permiti o descanso. O tempo foi passando mas eu precisava voltar, pois queria muito correr no Canyon Guartelá, em Tibagi, um desejo que me acompanhava desde setembro do ano anterior quando aconteceu a primeira prova.

 

Gosto muito de correr na rua mas, no fundo, meu tipo preferido de corrida é em trilhas, onde me sinto mais livre e ao mesmo tempo posso contemplar a natureza. É meu momento de introspecção. De encontro com Deus.

 

ANDRÉA TRAGUETA - Foto: Luiz Lupa (Esporte na Foto)

Voltei aos treinos praticamente 15 dias antes da prova. Tinha feito inscrição para 10 km, mas uma semana antes mudei para os 21km (que o meu GPS acabou marcando quase 24!!) achando que estava preparada. E eis que é dada a largada para a prova. Eu não tinha lido muito a respeito, só sabia que queria correr lá, fazer parte do cenário até então conhecido apenas por fotos. Conforme a corrida foi acontecendo, eu fui ficando para trás, me perdi das amigas Adriana, Ane e Patrícia. Fui no meu ritmo, no meu tempo. A cada quilômetro eu só ia agradecendo a Deus a oportunidade de estar num lugar tão único, tão lindo. Obrigada, obrigada, obrigada, repetia a todo momento! Parei para tirar fotos, afinal, que outra oportunidade eu teria para estar ali?

 

Correr no Guartelá me tocou muito. Era um desafio novo, diferente. Eu não precisava me preocupar com tempos, mas sim em explorar novos caminhos, só correr e aproveitar a emoção, o entusiasmo e a curtição. Confesso, no entanto, que foi muito mais complexo do que simplesmente correr pelas belas paisagens que as montanhas podem oferecer. Essa prova requer muita técnica, resistência, força e velocidade.

 

Rios, cachoeiras, pedras - muitas -, morros, mato, lama e escaladas fizeram parte da aventura. A energia que envolve as pessoas nesse tipo de prova é incrível, são todas muito parceiras e especiais com o único objetivo de terminar a prova. Alguns atletas mais rápidos que outros, mas todos se divertindo, com os pés na lama, escalando montanhas e recebendo de presente lindas paisagens, daquelas de tirar o fôlego. Muitos trechos em mata fechada eu fiz sozinha, não sem um pouco de medo, que ia embora a cada surpresa de aventuras e belezas. E depois de 11 quilômetros, ao achar que está terminando a parte difícil da prova e que o próximo trecho seria em bucólicas estradas, eis que surgem mais 7 quilômetros em meio a riachos, pedras, rios e cachoeiras. E um tombo no meio da lama, de ralar a mão.

 

Uma superação de obstáculos e término da prova com a adrenalina a todo vapor. O melhor é ao final, na linha de chegada, os amigos ali me esperando e terminando o trajeto lado a lado. Adriana, Patrícia, Jefferson, Marcelo e Ane, que precisou ir mas deixou muito energia positiva pra mim, só tenho a agradecer. Passar esses dois dias com vocês e ser presenteada com as boas vibrações e o companheirismo de sempre valeram cada passo!

 

Foi uma prova de superação - uma das mais difíceis das quais participei - e uma conclusão: nunca mais encarar uma prova deste nível sem treino. Tive muita sorte de não me machucar. Agora é treinar muito e continuar participando de outras provas semelhantes. Claro, sempre acompanhada de bons amigos.

 

Por: Andréa Tragueta - Atleta e Jornalista