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QUINTA-FEIRA, 04 DE DEZEMBRO DE 2014

SUPERCOMPENSAÇÃO DE CARBOIDRATOS:
Fazer ou não fazer?





O glicogênio muscular é o principal substrato energético para exercícios de resistência com duração de 90 a 120 minutos. Podemos estocar cerca de 80 á 90g de glicogênio no fígado e 300 á 400g nos músculos (dependendo da quantidade de massa muscular). A depleção desse estoque tem sido considerada um importante fator limitante durante o exercício fazendo com que diversos atletas busquem formas de aumentar essa reserva acima dos valores normais.


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A supercompensação de carboidratos é um modelo clássico de manobra alimentar, usada há muitos anos, que objetiva aumentar, chegando a dobrar, os estoques de glicogênio armazenado e assim prolongar significativamente o tempo de exercício até a exaustão.

O modelo clássico da supercompensação tem duração de uma semana e consiste basicamente em reduzir o consumo de alimentos fonte de carboidratos nos 3 primeiros dias, mantendo o treinamento normal com alta intensidade, e nos 3 últimos dias que antecedem a prova, o atleta reduz a carga de treinamento e aumenta drasticamente o consumo deste nutriente. Esta estratégia tem sido revista pelo fato de que a diminuição do consumo dos carboidratos em uma fase de treinos intensos pode gerar quadros de hipoglicemia, cetose e aumentar o risco de lesão tecidual. Acreditava-se que o baixo consumo era a forma de melhor de armazenamento posterior deste glicogênio, porém atualmente, sabemos que o primeiro estímulo para o aumento da síntese de glicogênio muscular é o próprio treinamento, que induz a ação da enzima glicogênio sintetase, responsável pela síntese de glicogênio e consequente acúmulo deste na célula muscular.

Um dos efeitos negativos desta prática é que o armazenamento de carboidratos no nosso organismo é dependente de água (para cada 3g de glicogênio armazenado, armazenamos outros 3g de água). Este acúmulo muscular de "carboidratos" fará com que o atleta retenha mais líquido e aumente o seu peso corporal. Uma parte dos atletas sente desconforto com este excesso de peso no início da prova e acaba optando por outras estratégias.

Pelo lado positivo, a maior concentração de glicogênio armazenada no músculo, além de retardar o processo de fadiga muscular e melhorar o rendimento, tem a capacidade de aumentar a concentração de água no organismo podendo ser benéfica em provas com condições climáticas favoráveis a desidratação.

Hoje em dia, diversas formas de supercompensação são estudadas para diminuir os efeitos negativos das técnicas antigas e são empregadas de forma individual com cada corredor, para garantirmos a máxima concentração de glicogênio muscular antecedendo a prova. Consideramos diversas variáveis como peso, alimentação pregressa, exames laboratoriais, periodização de treinamento e tipo de prova que será realizada para empregarmos um aumento gradativo e controlado do consumo desses alimentos/suplementos. E sempre aconselhamos o atleta a "testar" a técnica em período não competitivo.

Referências:
  • Ferreira, Antonio Marcio Domingues, Beatriz Gonçalves Ribeiro, and Eliane de Abreu Soares. "Consumo de carboidratos e lipídios no desempenho em exercícios de ultra-resistência." Rev Bras Med Esporte 7.2 (2001): 67-74.
  • ALVES, Letícia A., Simone BIESEK, and Isabela GUERRA. "Estratégia de nutrição e suplementação no esporte." São Paulo (2005).
  • Almeida, Pedro Augusto Santos, et al. "COMPORTAMENTO GLICÊMICO PRÉ E PÓS SUPERCOMPENSAÇÃO DE CARBOIDRATOS EM EXERCÍCIO PROGRESSIVO."

Talitha Fernandes




Talitha Fernandes - Nutricionista
Av. Humaitá, 187 - Maringá/PR - (44) 3262-7726
Contato: tf.nutri@yahoo.com.br




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